O GLOBO – 31/05/2020

Um grupo de artistas, políticos, intelectuais, cientistas, organizações, empresas e pessoas de diferentes setores da sociedade se uniu em “defesa da vida, da liberdade e da democracia”. O movimento Estamos Juntos, que já conta com mais de 6 mil assinaturas da esquerda à direita, divulgou um manifesto em jornais neste sábado, incluindo O GLOBO, exigindo que autoridades e lideranças políticas exerçam seu papel diante da crise sanitária,política e econômica que atravessa o país.


O escritor Antonio Prata, um dos organizadores do movimento, explica que a intenção é aglutinar personalidades, políticos e cidadãos de diferentes setores da sociedade e matizes ideológicos em defesa das instituições e contra um golpe contra a democracia. — Temos Freixo, Fernando Henrique Cardoso, Boulos e Armínio Fraga no mesmo movimento. Aintençãoé barrara ideia de um golpe. Eduardo

Bolso narodis seque nãoéu ma questão de se, mas de quando. Bolson aro passou avida defendendo a ditadura e um golpe. Precisamos voltara discordar dentro d orinque queéa democracia—conta Prata. A ideia do movimento surgiuapós um grupo de autoras e atrizes do Rio, encabeçado pela roteirista Carolina Kotscho, se unir para fazer uma nota de repúdio às declarações da então secretária nacional de Cultura, Regina Duarte. Em entrevista à CNN Brasil, a atriz minimizou os casos de tortura e as mortes causadas pela ditadura militar no país. O movimento cresceu e ganhou aderência de diversos setores. Alista inicial conta com nomes que vão desde o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), ao cantor Lobão. O manifesto reúne personalidades como o apresentador e empreendedor Luciano Huck,oe x-presidente Fernando Henrique Cardoso, a economista E lena Landau, o ex ministro da Educação Renato Janine e o advogado criminalista Antonio Cláudio Mariz. Segundo o manifesto, “como aconteceu no movimento Diretas Já, é hora de deixar de lado velhas disputas em busca do bem comum. Esquerda, centro e direita unidos para defende ralei, a ordem, apolítica, aética, as famílias, o voto, a ciência, a verdade, o respeito e a valorização da diversidade, a liberdade de imprensa, a importância da arte, a preservação do meio ambiente e a responsabilidade na economia”. —A ideia éter um manifesto de frente ampla. Setenta por cento da população rejeitam Bolsonaro. Há um discurso que é muito conveniente para o bolsonarismo de que existe um aluta entre o bolso na ris mo e a corrupção petista. De que só existem esses dois polos na sociedade. Se você não está comBol sonar o,vocêé favor da corrupção. Não é verdade — diz Prata, que adianta que há inúmeras ações sendo pensadas :— Vamos fazer um festival de música, uma espécia de Virada Democrática, em transmissão on-line para dar visibilidade e aglutinar ainda mais pessoas para essa luta.

CONTRA O AUTORITARISMO

A economista Elena Landau destaca que o projeto é um movimento amplo para afirmar que o cenário de autoritarismo e corrupção não vai ser visto como um novo normal: —Oobjetivoéaun ião acima de questões partidárias para barrar essa trajetória de autoritarismo e corrupção moral. Estamos dizendo que não vamos

normalizara barbárie. Bolsonaro criou um país onde não nos reconhecemos mais. O ex-ministro da Educação e cientista político Renato Janine Ribeiro conta que decidiu apoiar o manifesto “ao lado de todos que estão contra essa divisão entre direita e esquerda e se unem pela democracia”. —O mais importanteéo queno sune e não o quenos separa. E par alutar contra abarbá ri eé precisos e unir com todos que são contra ela. Só assim podemos salvara democracia no Brasil, que está seriamente ameaçada.

Já Antonio Claudio Mariz de

Oliveira, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/SP) e advogado criminalista, diz que o presidente Jair Bolsonaro não tem mais condições de governar equeé preciso reverter esse quadro — O presidente Jair Bolsonaro perdeu a condição de governar o país. Está implantando uma intolerância raivosa, e qualquer um que tenha opinião divergente dele vira inimigo. Esses manifestos podem ajudar o país dando voz aos cidadãos. O importante hojeéfalar.É obrigação dos cidadãos. Inérciaé cumplicidade.