O GLOBO – 30/07/2020

Carolina Callegari

Em meio à crise sanitária provocada pelo novo coronavírus, a comemoração dos 95 anos do jornal O GLOBO foi marcada pelos cuidados com a segurança. O padre José Roberto Devellard celebrou uma missa, na Igreja São Francisco de Paula, no Centro, diante de bancos vazios, sem as presenças tradicionais. Funcionários e convidados puderam assistir à transmissão pelo canal do jornal no YouTube. O padre José Roberto destacou a relevância da tecnologia para aproximar as pessoas enquanto o cotidiano não volta ao normal.

— Nós vivemos um momento único na história da humanidade. Em um determinado momento, o mundo se tornou uma espécie de profecia de décadas atrás, quando alguém da comunicação dizia que nós nos tornaríamos uma aldeia global. Nem usou a palavra cidade global, mas aldeia, um lugar pequeno. E foi pela doença, pela tristeza que aconteceu esta união na dor. Muitas famílias, inclusive, não podem acompanhar seus parentes a hospitais, ir a enterros e outras tantas situações. Mas, ao mesmo tempo, há esperança em um momento da história único — afirmou o padre, durante o culto.

Dentro da igreja, estiveram presentes apenas o padre, a equipe de filmagem que transmitiu a missa e o diretor-geral da Editora Globo, Frederic Kachar. As aglomerações, agora proibidas, ficaram restritas às imagens exibidas no início da missa: nelas, foi possível ver um entregador na porta de uma leitora, as redações repletas de jornalistas desde a época em que as notícias eram produzidas em máquinas de escrever, a inauguração da nova sede e outros momentos marcantes da trajetória do GLOBO. Com participações remotas, funcionários leram salmos em três momentos da celebração.

A transmissão atingiu mais pessoas do que as que caberiam no templo, o que foi lembrado por Kachar, que já pensa, nos 96 anos do GLOBO, em investir nos dois formatos de missa, presencial e à distância.

— É um ritual de muitos anos, da fé, de agradecer, de buscar todas as bênçãos. Acho que esse ritual é muito maior do que os impactos da pandemia. Ele acontece com ou sem aglomeração. Esse ano tivemos que usar a tecnologia para manter o ritual vivo. Por outro lado, assim como a pandemia é terrível sob vários pontos de vista, também está obrigando todo mundo a se reinventar, a encontrar alternativas para o que não podemos fazer enquanto não se soluciona o vírus. Conseguimos atingir muito mais gente hoje com a missa feita em transmissão virtual. Se por um lado perdemos por não estarmos juntos, nos últimos anos nunca tantos colaboradores e companheiros assistiram à celebração. Isso me leva a crer que, a partir do ano que vem, devemos ter os dois formatos.

Papel da imprensa
O vice-presidente do Grupo Globo e presidente do Conselho Editorial, João Roberto Marinho, destacou a importância do jornalismo, numa era em que impresso e digital se complementam, em artigo publicado ontem no caderno especial sobre os 95 anos do GLOBO: “acreditamos que foi o bom jornalismo o que trouxe O GLOBO aos dias de hoje. E que é o que o levará ao futuro pelos anos que virão”.

A coordenadora dos editores executivos do GLOBO, Maria Fernanda Delmas, salientou o papel do jornal neste momento:

— O GLOBO faz 95 anos em meio à maior crise sanitária mundial em 100 anos, em um momento de grande transformação na sociedade. Reafirmamos aqui a missão do jornal de cobrir ativamente essas mudanças, propondo debates e saídas para a saúde, a educação, a economia, a cultura, a política.