FOLHA DE S.PAULO – 18/04/2020

Patrícia Pasquini

No dia 10 de abril, o jornalista e dramaturgo Valdi Coutinho publicou em uma página de rede social o resultado do jogo “O que você dirá antes de morrer?”.


Quatro dias depois, o que era para ser somente uma brincadeira com os internautas tornou-se realidade. A vida pregou uma peça e deixou o cenário artístico pernambucano triste. Sem dizer nada a ninguém, Valdi saiu de cena, aos 77 anos. Há alguns anos, ele estava debilitado depois de ter sofrido três AVCs.

Sua imagem representava alegria, festa, amor e generosidade. Foi intenso em todas as áreas que apostou seu talento: jornalista, cronista esportivo, colunista de teatro, ator, diretor, dramaturgo, crítico de teatro, escritor, artista plástico e carnavalesco, além de ter sido um dos fundadores do Baile dos Artistas, evento que abre o carnaval de Recife (PE), sua cidade natal.

Trabalhou durante 30 anos no Diário de Pernambuco, tendo destaque como cronista no caderno de esportes, além de ter sido crítico e colunista de teatro em cultura.

Amiga há dez anos, a produtora cultural Luciana Araújo, 55, conta que Valdi foi um paizão e o incentivador de jovens talentos e de quem gostava de cinema e teatro.

“Ele fez jornalismo mas era um cara de teatro, professor do curso de formação de atores do Sindicato dos Artistas de Pernambuco. Partilhava conhecimento e se doava para o outro. Querido por todos, brilhou e fez muita gente brilhar”, conta Luciana.

A última edição do Baile dos Artistas ocorreu em 2019. “Ele já estava acamado e bastante doente, e não conseguiu passar a produção do evento para outros profissionais. O de 2021 será realizado como forma de homenageá-lo”, diz Luciana.

Valdi Coutinho morreu em casa. Ele morava com um rapaz a quem considerava como sobrinho.