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A guerra das narrativas

O ESTADO DE S.PAULO – 25/03/2020

Luiz Felipe D’Ávila

Bolsonaro criou uma persona política baseada numa narrativa simples e eficaz. Ele é o cara do povo que tem coragem de falar as coisas como elas devem ser ditas. Não compactua com a classe política e seus interesses corporativistas e tampouco com a imprensa, ambas jogam contra o interesse do País. Foi eleito pelo povo para acabar com o petismo e a esquerda nefasta, que destruíram o Brasil por meio da corrupção desenfreada e do aparelhamento do Estado. Seu plano para tirar o Brasil desse lamaçal consiste em liderar uma cruzada contra os políticos, as instituições, a esquerda e a mídia. A salvação do País está em Deus, nas Forças Armadas e no governo Bolsonaro. Essa foi a narrativa vitoriosa nas urnas que elegeu Bolsonaro presidente da República.

Presidente reverbera as redes bolsonaristas

O ESTADO DE S.PAULO – 25/03/2020

Coluna do Estadão

As redes bolsonaristas atuam para propagar a tese de que vale afrouxar o confinamento para “salvar” a economia, custe o que custar. No pronunciamento de ontem, Jair Bolsonaro repetiu as linhas gerais dessa narrativa, segundo a qual ele luta contra exageros de inimigos interessados no pânico e no desemprego de milhões. Algumas das mensagens reproduzem dados de caráter duvidoso. Alvos de ataques dessas redes e autoridades preocupadas com a pandemia disseram à Coluna que já enxergam nelas digitais cibernéticas do gabinete do ódio.

MP de Bolsonaro restringe Lei de Acesso à Informação

O ESTADO DE S.PAULO – 25/03/2020

JUSSARA SOARES, PAULO ROBERTO NETTO, CAMILA TURTELLI, FELIPE FRAZÃO e IDIANA TOMAZELLI

Medida Provisória suspende prazo e isenta de punição por não atendimento de demandas da sociedade; entidades de transparência e de jornalismo reagem e Rede vai ao Supremo

Posts enganosos sobre vírus são apagados de redes

O ESTADO DE S.PAULO – 25/03/2020

TIAGO AGUIAR

Perfis da rede de apoio do presidente Jair Bolsonaro tiveram conteúdos sobre o novo coronavírus apagados ou sinalizados como enganosos nos últimos dias. Isso aconteceu porque Twitter, Facebook e YouTube revisaram seus critérios para retirar do ar publicações que tratam sobre a pandemia. O Twitter, por exemplo, passou a apagar posts que descrevem medidas de proteção ineficazes ou em desacordo com orientações oficiais.

É importante alertar para a concentração de poder em situações de emergência

FOLHA DE S.PAULO – 25/03/2020

Leandro Mitidieri

A pandemia do coronavírus ensejou uma série de medidas por parte dos entes federativos que afetam direitos fundamentais. É importante o alerta para a concentração de poder nas situações de emergência, razão pela qual deve-se restringi-la a estados de exceção verdadeiros e descartar “passagens furtivas” para tal cenário.

A pandemia é uma oportunidade para acelerar ou aniquilar o projeto autocrático

FOLHA DE S.PAULO – 25/03/2020

Conrado Hübner Mendes

Bolsonaro é um disparador de crises. E de crises sobre crises. Sua presidência vai tecendo regime político com déficit de atenção e com superávit de raiva e medo. Foge dos fatos e explora as fantasias. O produto final pode deixar de se parecer com o tecido democrático, mas estaremos distraídos para notar.

MP de Bolsonaro suspende prazos de respostas via Lei de Acesso à Informação, e entidades alertam para menos transparência

Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e publicada na noite de segunda-feira (23) suspendeu o atendimento de pedidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) a todos os órgãos e entidades da administração pública cujos servidores estão sujeitos a regime de quarentena ou home office. Eventuais recursos apresentados diante da negativa dos pedidos de informação, segundo a MP (928), não serão reconhecidos pela administração pública. Ao mesmo tempo, a medida prioriza as solicitações que tratem de medidas de enfrentamento de emergência de saúde pública. A iniciativa foi criticada por especialistas e organizações de defesa do jornalismo – entre elas a Associação Nacional de Jornais (ANJ) – e dos direitos civis por não deixar claro o que entra no critério de enfrentamento da questão de saúde e por reduzir a transparência do governo.