O GLOBO – 05/03/2020

Personalidades do meio empresarial, além de familiares, amigos e colegas de profissão, despediram-se ontem do jornalista Celso Pinto, que morreu na terçafeira na capital paulista.


Para o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, mais do que eficiente, ele “foi formidável”. O mercado, lembrou o executivo, tinha em Celso uma referência, especialmente na cobertura de temas relacionados à inflação.

Presente ao velório, que aconteceu no Cemitério do Morumbi, na Zona Sul de São Paulo, o ex-ministro das Comunicações e expresidente do BNDES Luiz

Carlos Mendonça de Barros contou que tinha um projeto de montar um jornal quando as dificuldades financeiras da Gazeta Mercantil ficaram mais evidentes, no início dos anos 2000. Ele desistiu do projeto ao descobrir que Celso Pinto tinha uma ideia semelhante — o embrião do jornal Valor Econômico.

— Quando soubemos que Celso Pinto estava se preparando para lançar um novo jornal econômico, desistimos imediatamente —disse Mendonça de Barros.

Muito amigo de Celso, o economista Pérsio Arida, um dos criadores do Plano Real, destacou a qualidade do trabalho do jornalista:

— Em um texto singular, ele explicava o problema de forma única.

Para o jornalista e apresentador Pedro Bial, amigo de Celso desde a década de 1980, quando ambos trabalharam como correspondentes em Londres, o nome do colega era consenso entre economistas.

— Todos os expoentes do nosso pensamento econômico tiravam o chapéu para ele —disse Bial.

‘QUALIDADE INTELECTUAL’

Henri-Philippe Reichstul, economista e ex-presidente da Petrobras, disse sentir falta do jornalismo “primoroso” de Celso, um bem escasso em tempos de “fake

news e manipulações”. — (Ele) era o que há de melhor na profissão. Sempre valia a pena ler o que ele escrevia. Não tinha enrolação, era muito preciso e sempre agregava algum entendimento — afirmou Reichstul.

O economista Luciano Coutinho, que comandou o BNDES de 2007 a 2016, destacou a “qualidade intelectual diferenciada” do jornalista.

— Afora a competência, a excelência como jornalista, eu destaco as qualidades de perspicácia, inteligência, de objetividade na capacidade analítica dele. Ele não só aderiu aos princípios do bom jornalismo: tinha qualidade intelectual diferenciada —disse Coutinho.

Fonte de Celso Pinto bem antes de virar ministro da Fazenda, nos anos 1980, o economista Maílson da Nóbrega destacou sua capacidade de análise e seu compromisso permanente com a verdade.

— Sua lealdade com a verdade sempre foi ímpar — disse Nóbrega.

O corpo de Celso Pinto foi sepultado no início da tarde de ontem. O jornalista, que tinha 67 anos, foi o primeiro diretor de Redação do jornal Valor Econômico. Celso morreu na terça-feira, vítima de uma infecção pulmonar.

Ele estava afastado da redação do Valor desde 2003, depois de sofrer uma parada cardiorrespiratória durante uma partida de tênis.

“Em um texto singular, ele explicava o problema de forma única”

Pérsio Arida, economista e um dos criadores do Plano Real

“Sua lealdade com a verdade sempre foi ímpar”

Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda

“Sempre valia a pena ler o que ele escrevia”

Henri-Philippe Reichstul, ex-presidente da Petrobras