O ESTADO DE S.PAULO – 09/06/2020
Personalidades do mundo político e jurídico, juntamente com entidades representativas de profissionais e veículos de imprensa, elogiaram a formação de um consórcio de veículos de mídia dedicado à coleta e à divulgação de dados sobre covid-19. Em resposta aos entraves impostos pelo governo federal, Estadão, Folha de S.Paulo, O Globo, Extra, G1 e UOL decidiram trabalhar de forma colaborativa para buscar as informações diretamente nos 26 Estados e no Distrito Federal.
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a iniciativa é “excelente”. “Mostra a importância da liberdade de imprensa para que nós tenhamos transparência não apenas na divulgação de dados, mas em todas as ações dos agentes públicos”, afirmou.
No início da tarde, Maia disse esperar que o Ministério da Saúde volte a apresentar os dados como na forma anterior e no horário anterior, “para que isso não seja mais um tema de conflito no Brasil”.
O ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal, ressaltou que “a transparência é mandamento constitucional”. Ele acrescentou: “São, portanto, bem-vindas todas as medidas que visem a reforçar a transparência e ampliar as fronteiras do acesso à informação. Essa iniciativa é mais uma demonstração do trabalho de excelência realizado pela imprensa em auxiliar nas informações necessárias ao combate da pandemia”.
“É louvável a iniciativa dos jornais. Neste momento de pandemia e de incertezas, trazer a informação correta, consolidada, verdadeira, confiável, é exatamente o que a população espera, da imprensa, e precisa, como nação”, disse o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (DEM-AP).
O ex-ministro da Justiça Sergio Moro disse que “a iniciativa só reforça a importância da transparência e a relevância da imprensa em uma sociedade livre”. “Infelizmente, a confusão provocada por novas metodologias e atrasos na divulgação do número de mortos e de novos casos confirmados têm gerado questionamentos quanto à confiabilidade dos dados.”
Para o presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Marcelo Rech, a parceria inédita para informar os dados da covid-19 “evidencia a relevância dos meios de comunicação em um momento grave como esse da pandemia no País”.
O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Paulo Jeronimo, lembrou que, na década de 1970, a ditadura militar escondeu, por meio de censura, a existência de um surto de meningite. “Por isso, as famílias não foram alertadas para a epidemia, o que ocasionou grande número de mortes de crianças. Agora, diante da multiplicação de mortos pelo coronavírus, que faz do Brasil um dos recordistas mundiais nesta macabra lista, o governo Bolsonaro tenta esconder os números reais. Estamos diante de um crime.”
Para Manoel Galdino, diretor executivo da Transparência Brasil, “o governo brasileiro está omitindo os dados e informações sobre a doença numa decisão de caso pensado”. Segundo ele, a divulgação dos dados da covid-19 “não é uma responsabilidade da imprensa, mas sim do governo federal”.
Marcelo Träsel, presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), afirmou que “o presidente da República vem adotando medidas que contrariam a Constituição Federal, a Lei de Acesso à Informação e as boas práticas de transparência pública com o objetivo de retaliar a cobertura jornalística sobre os erros de seu governo no combate à pandemia de covid-19”.
Paulo Zocchi, presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, condenou a atitude do governo Bolsonaro de suspender a divulgação diária dos números. “É um ato de censura e um verdadeiro crime contra a população brasileira.”
“É mais uma demonstração do trabalho realizado pela imprensa em auxiliar nas informações necessárias ao combate da pandemia.”
Ministro Dias Toffoli
PRESIDENTE DO STF