FOLHA DE S.PAULO – 11/03/2020

Cristina Padiglione

A CNN Brasil estreia reivindicando ser mais do que um canal de TV por assinatura. Vídeos sob demanda, conteúdo em áudio e presença nas redes sociais vão marcar a atuação da marca no país, segundo o seu presidente e cofundador, Douglas Tavolaro, ex-vice-presidente de jornalismo da TV Record e biógrafo de Edir Macedo.


O modelo multiplataforma, diz Tavolaro, vai ajudar a garantir a sustentabilidade do negócio mesmo em um cenário de perdas sucessivas para o mercado da TV paga.

Em entrevista por email, o executivo fala sobre o modelo da emissora, a programação de estreia –que deve ter uma entrevista exclusiva com o presidente Jair Bolsonaro– e os preceitos editoriais do canal.

A TV paga perdeu 224 mil assinantes só em janeiro, em relação ao mês anterior. Nesse cenário, por que investir em um novo canal pago de produção quase 100% própria? A CNN Brasil não é só canal de TV por assinatura. Vamos atuar na TV por assinatura, no streaming, nas redes sociais e na internet. É uma emissora de jornalismo multiplataforma, com programação em todas as telas, sobretudo no digital. É claro que permanecemos apoiando as operadoras e torcendo pela recuperação do mercado de TV por assinatura, mas nascemos preparados para a evolução do nosso negócio.

A CNN Brasil tem perspectivas de pagar o investimento feito? Nossa empresa será sustentada por receitas vindas dos mercados publicitário e de distribuição no Brasil e no exterior e outras unidades de negócio derivadas do uso da marca no país. Como empresa, temos plano de negócios fundamentado, a longo prazo, com premissas diferentes do modelo tradicional.

Todas as pesquisas encomendadas deixam isso claro. Os brasileiros pedem uma nova opção de jornalismo.

Como será a distribuição de conteúdo do canal via internet? Há planos para uma plataforma de streaming? A CNN estará disponível no Brasil para mais de 60 milhões de pessoas em plataformas digitais e TV paga. Teremos conteúdo exclusivo para nossa plataforma online e nas mídias sociais.

Há uma grade de programação exclusiva para o digital, em podcasts e vídeos, que será gratuita aos usuários.

Já temos planejado o lançamento do CNN Brasil Go. Ele terá nosso sinal ao vivo e todos os nossos produtos sob demanda. De partida, será exclusivo para os assinantes das nossas operadoras parceiras.

O presidente Jair Bolsonaro disse esperar que a CNN Brasil seja diferente da Globo. Em que aspectos poderá se diferenciar da GloboNews? Seremos uma nova opção de jornalismo para os brasileiros. Não estamos preocupados com esse ou aquele concorrente.

Podemos aguardar uma entrevista exclusiva de Bolsonaro para a programação de inauguração, no dia 15? Sim, teremos uma entrevista exclusiva do presidente na estreia. Também teremos entrevistas exclusivas, no mesmo dia, com o presidente do Supremo Tribunal Federal, com o presidente da Câmara, e com o presidente do Senado. Não seremos nem de direita nem de esquerda. Teremos pluralidade, com analistas buscando sempre isenção e equilíbrio.

O conselho editorial da CNN Brasil tem poder de veto ou restrições sobre os rumos adotados nas decisões editoriais? O conselho editorial vai responder pelo conteúdo veiculado em todas as plataformas, definir a política e os parâmetros editoriais num trabalho conjunto entre a CNN internacional e os executivos jornalistas brasileiros.