O ESTADO DE S.PAULO
Em seu discurso ontem na abertura da Assembleia-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Jair Bolsonaro ignorou estudos internacionais sobre preservação ambiental no País e afirmou, sem base em informações oficiais, que “índios e caboclos” são responsáveis por incêndios nas florestas, segundo checagem feita pelo Estadão Verifica.
Além de questões ambientais, o presidente ainda distorceu uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre medidas de enfrentamento do novo coronavírus nos Estados e municípios e inflou o valor do auxílio emergencial pago aos mais pobres e aos trabalhadores informais afetados pelas medidas de isolamento social impostas pela crise sanitária.
Em meio às queimadas que assolam o Pantanal e a Amazônia, Bolsonaro tentou defender seu governo ao dizer que o Brasil é um dos países que mais preservam suas florestas tropicais, desconsiderando que o País registrou a maior perda deste tipo de cobertura vegetal em 2019.
Sobre a pandemia, Bolsonaro – que já foi diagnosticado com coronavírus – disse que “o lema ‘fique em casa’ e ‘a economia a gente vê depois’ quase trouxeram o caos social ao País”. Citou a hidroxicloroquina, medicamento que não tem comprovação científica de sua eficácia no tratamento da covid-19. O uso da substância é defendido pelo presidente, embora tenha sido descartada de testes pela Organização Mundial da Saúde (OMS).