O GLOBO – 24/06/2019
O Twitter sinalizou nesta terça-feira mais uma publicação do presidente americano, Donald Trump, afirmando que ela configura “comportamento abusivo” e vai contra as normas da plataforma. Na postagem, Trump ameaçou reprimir manifestantes na capital do país.
“Nunca haverá uma ‘zona autônoma’ em Washington, DC, enquanto eu for presidente. Se eles tentarem, serão recebidos com muita força!”, escreveu o chefe da Casa Branca, referindo-se à chamada “zona autônoma” controlada por manifestantes contra o racismo e a violência policial em Seattle, no Noroeste dos EUA, e da qual a polícia se retirou.
Apesar da sinalização, o Twitter manteve a publicação de Trump no ar por ser de “interesse público”. No entanto, o tuíte vem acompanhado de um alerta, por haver uma ameaça contra um grupo identificável, o que vai contra as políticas da rede social.
A publicação do presidente americano é direcionada a manifestantes antirracismo que decretaram, na segunda-feira, uma área próxima à Casa Branca como a Zona Autônoma da Casa Negra — uma referência à ação dos ativistas de Seattle. Na capital, essa área fica em frente à Igreja Episcopal de São João, onde Trump posou com uma Bíblia no início de junho depois de mandar a Guarda Nacional reprimir um protesto pacífico que impedia seu acesso ao templo.
É a segunda vez que o Twitter utiliza a etiqueta de interesse público em uma publicação do presidente dos EUA desde que a plataforma anunciou a criação da ferramenta, no ano passado. Segundo uma porta-voz da rede social, o presidente-executivo da rede social, Jack Dorsey, foi informado da decisão antes da aplicação do aviso.
No final de maio, quando os protestos provocados pela morte de George Floyd estavam começando, o Twitter disse que o presidente fez apologia da violência ao publicar a frase “quando o saque começa, os tiros começam”, ameaçando usar a força contra os manifestantes. A frase ficou famosa na boca de um chefe de polícia de Miami, Walter Headley, que nos anos 1960 defendia o uso de armas para conter a violência nos bairros mais pobres da cidade
A campanha à reeleição de Trump também teve postagens sinalizadas na rede social como “mídia manipulada”. A campanha mudava o sentido de um vídeo exibido originalmente na CNN.
Mais cedo, Trump já havia usado a rede social contra manifestantes. Ele anunciou que autorizou a prisão por até 10 anos de qualquer um que “vandalize ou destrua” monumentos ou estátuas em terrenos que pertençam ao governo federal americano. O anúncio veio horas após manifestantes tentarem derrubar uma estátua do ex-presidente Andrew Jackson (1829-1837) em um parque em frente à Casa Branca.
“Eu autorizei o governo federal a prender qualquer um que vandalize ou destrua qualquer monumento, estátua ou outra propriedade federal nos EUA por até 10 anos, segundo a Lei de Preservação da Memória dos Veteranos [de guerra] ou outras legislações que possam ser pertinentes”, tuitou o presidente.
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Ele reforçou a ameaça em entrevista na Casa Branca:
— Estão derrubando nossos monumentos. Vou baixar um decreto em breve para reforçar o que já está previsto na lei, mas de maneira mais uniformizada.
Muro na fronteira
Na tarde desta terça, Trump visitou na cidade de San Luis, no Arizona, o local de construção de um trecho do muro na fronteira com o México, uma de suas promessas da campanha de 2016. Na época, ele venceu no Arizona, mas neste ano, segundo as pesquisas, seu rival democrata Joe Biden é favorito no estado.
— Meu governo fez mais do que qualquer um na História para proteger a nossa fronteira sul — disse Trump, em uma mesa redonda com autoridades migratórias e policiais.
Trump precisa do Arizona para vencer no Colégio Eleitoral em 3 de novembro. É a terceira vez neste ano que ele visita o estado, onde os casos do novo coronavírus têm aumentado — foram 3.500 registrados apenas hoje, e as unidades de terapia intensiva estão lotadas.
O presidente retomou suas viagens de campanha no sábado, com um comício em Tulsa, no estado de Oklahoma, ignorando os alertas de que as aglomerações que provoca são propícias ao contágio pela Covid-19.