O GLOBO – 07/04/2020
DANIEL TABAK
Estamos em guerra contra o coronavírus. E precisamos lutarparavencê-la. Comestas palavras se inicia o editorial publicado na primeira semana de abril no “New England Journal of Medicine”, a revista médica de maior prestígio mundial. O autor, o professor Harvey Fineberg, foi reitor da Escola de Saúde Púbica de Harvard e presidente da Academia Nacional de Medicina dos Estados Unidos. O texto, embora dirigido aos americanos, aponta um caminho a ser percorrido por toda comunidade mundial para a derrota definitiva da Covid-19 em dez semanas. São seis passos.
Nosso objetivo não deve ser achatar acurva: precisamos esmagá-la. Temos de identificar o inimigo, rastrear os seus movimentos e reconhecer as suas vulnerabilidades. Dessa forma, ao salvar vidas, a economia poderá serre energizada.
Os mesmos passos descritos por Fineberg deveriam ser adotados no Brasil.
1. Estabelecer um comando unificado. O presidente deve surpreender seus críticos e nomear um comandante que se reporte diretamente a ele. Esta pessoa deve ter a total confiança do presidente e merecer o crédito do povo brasileiro. O ministro da Saúde,
Luiz Henrique Mandetta, já nos representa. Ele éon osso comandante. Como todos os médicos dedicados que arriscam as próprias vidas em hospitais desabastecidos, Mandetta não abandona o paciente. E, como o próprio ministro mencionou, o paciente éo Brasil. Defensor incondicional david a, Mandetta defende e promove o distanciamento social como aforma mais eficaz para achatar acurva. Mas isso não será suficiente. Para esmagara curva é preciso queruídos incoerentes emitidos pelo presidente não ensurdeçam a população.
2. Oferecer milhões detestes diagnósticos. Não será possível testar toda a população como tem ocorrido na Coreia do Sul. Mas o país precisa se preparar para fazer milhões de testes diagnósticos nas próximas duas semanas. Sem testes diagnósticos, não é possível rastrear o vírus. Os laboratórios de pesquisa do país precisam ser fortalecidos para auxiliar natriagem populacional que deverá abranger todas as comunidades.
3. Fornecer aos profissionais de saúde proteção e equipar os hospitais para cuidar de um aumento no número de pacientes gravemente doentes. Soldados não seguem para a batalha sem o armamento adequado; nossos profissionais da saúde na linha de frente desta guerra não podem ser abandonados à própria sorte. Sem a proteção, os riscos de contaminação se multiplicam. Ao adoecer, os profissionais da saúde são afastados da batalha e, assim, nos aproximamos do colapso. A indústria nacional precisa ser mobilizada e adequada ao novo contexto.
4. Diferenciara população em cinco grupos e tratá-los em conformidade. Fineberg nos aponta uma questão extremamente relevante. Primeiro precisamos saber quem está infectado; segundo, quem está presumidamente infectado (ou seja, pessoas com sinais e sintomas consistentes com infecção mas que inicialmente testam negativo); terceiro, aquele que foi exposto ao vírus; quarto, aquele que não foi exposto ou infectado; e, finalmente, aquele que se recuperou da infecção e está imune. As formas graves da doença precisam ser tratadas deforma agressiva em UTIs enquanto enfermarias de isolamento para os menos comprometidos limitariam a transmissão aos familiares.
5. Inspirar e mobilizar o público. Neste esforço hercúleo, todos nós temos um papel importante a desempenhar. Precisamos reduzir o risco de exposição sem deixar de apoiar amigos e vizinhos. Inúmeras demonstrações de solidariedade revelam a essência na natureza humana e contribuem para a preservação da nossa saúde mental.
6. Valorizara ciência. Os médicos precisam de melhores indicadores preditivos da evolução do paciente. Cabeàciênci amoldara resposta à saúde pública e reativara economia. Eé porme iodo conhecimento científico que uma vacina protetora será desenvolvida.
Finalmente, para derrotar o coronavírus, precisamos eliminar definitivamente as mensagens contraditórias que confundem a população e desacreditam o ministro da Saúde e sua estratégia no combate contra a Covid-19.