O GLOBO – 11/05/2020

RENNAN SETTI 

Projeto dos Inumeráveis no GLOBO de ontem em homenagem aos 10 mil mortos no país repercutiu nas redes e no exterior.


Um dos assuntos mais comentados nas redes sociais ontem, a capa do GLOBO em homenagem às mais de 10 mil vítimas brasileiras da Covid-19, em parceria com o projeto colaborativo Inumeráveis, despertou nos leitores a necessidade de contar e compartilhar as trajetórias interrompidas por trás dos números.

Segundo a atriz Gabriela Veiga, responsável pelas redes sociais do Inumeráveis, a publicação criou uma “onda de empatia” com quem perdeu amigos e familiares e fortaleceu a rede de voluntários que mantém o projeto.

Por meio de um memorial virtual, o Inumeráveis “repersonifica” as estatísticas a partir de breves relatos de amigos e familiares sobre as vítimas.

— Isso muda a pauta da conversa no meio da pandemia. A gente acorda todo dia com números novos. Depois de um tempo, você vai se desconectando de cada uma das vidas. Não há quem goste de ser número — afirmou o artista plástico Edson Pavoni, um dos idealizadores do Inumeráveis. — Desde a primeira entrevista, percebemos que o familiar ou amigo que relembra aquela história fica com mais vigor e paz. É um processo que cura.

A capa sobre as 10 mil mortes repercutiu no exterior. Na Argentina, os sites de Clarín e La Nación classificaram a edição de “impactante”, ressaltando que o Brasil é o segundo país com maior número de casos nas Américas e criticando aposturado presidente JairBol sonar o com relaçãoà pandemia.

A homenagem às vitimas ficou entre os assuntos mais comentados entre os usuários brasileiros do Twitter na manhã de ontem. Personalidades como a cantora Daniela Mercury e a atriz Bruna Marquezine reproduziram em suas redes a capa do GLOBO coma história das vítimas.

— A história dessas pessoas no futuro também será uma maneira das novas gerações entende remes e sensibilizarem com tu dois soque estamosvivendo agora—disse Daniela ao GLOBO.—Sentimos falta de manifestações assim da parte do governo federal, que se cala diante de tantas mortes. Ores peitoà vida eà memória de quem partiu são os principais fundamentos da dignidade humana.