O ESTADO DE S.PAULO
Após sinalizar com aval, presidente dos EUA diz que só aprovará acordo da rede com Oracle se controle for ‘americano’.
O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a causar turbulência no mercado de tecnologia ontem, ao dizer que não aprovará um acordo para que o aplicativo chinês Tiktok siga operando nos EUA, caso o controle da empresa esteja na mão de chineses.
“Se descobrirmos que eles (empresas americanas) não têm controle total, então não vamos aprovar. Estaremos observando de perto”, disse Trump ao canal de TV Fox News.
A frase pegou o mercado de surpresa, contrariando o que Trump disse no último sábado, quando afirmou que apoiava um acordo entre o Tiktok, a Oracle e o Walmart para que a rede social chinesa pudesse seguir operando nos EUA.
O imbróglio tenta resolver uma questão criada pelo próprio Trump, que afirma que o Tiktok repassa dados de americanos para o governo chinês. Em decreto assinado no dia 14 de agosto, o presidente americano deu prazo de 90 dias para que a Bytedance, companhia dona do Tiktok, vendesse suas operações nos EUA – caso contrário, o aplicativo seria banido do território americano.
A fala de Trump surpreendeu ainda pois aconteceu momentos depois que a Bytedance afirmou que, caso o acordo com a Oracle e o Walmart fosse aprovado pela Casa Branca, uma nova empresa seria criada: a Tiktok Global, que seria fundada com status de subsidiária da Bytedance – e, portanto, supostamente, com controle chinês. Oracle e Walmart, por sua vez, teriam 20% da Tiktok Global.
A questão, porém, é mais complexa, uma vez que a Bytedance tem hoje 41% de seu capital na mão de americanos. Uma saída para o problema é que, no desenho que teria sido proposto pelo acordo, segundo fontes relataram à emissora americana CNN, a chinesa não seria controladora da Tiktok Global, mas sim seus acionistas. Assim, os investidores americanos seriam maioria, mas tal desenho precisa ser aprovado pelas autoridades dos EUA.