O GLOBO – 30/05/2020
Horas após assinar um decreto executivo que o pôs em guerra aberta com as empresas de rede social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teve mais uma postagem sinalizada pelo Twitter.
Desta vez, a empresa disse que um tuíte no qual o chefe da Casa Branca dá a entender que a polícia poderia atirar nos manifestantes em Minneapolis, em Minnesota, fazia “apologia da violência”. Em uma postagem no início da madrugada de ontem, o presidente disse que os manifestantes eram “bandidos” e avisou ao governador de Minnesota que as Forças Armadas estavam ao seu lado, afirmando: “Qualquer dificuldade e nós assumiremos o controle, mas, quando os saques começarem, os tiros começam”, disse o presidente. O Twitter, rede na qual Trump é mais ativo, pôs um breve alerta antes da postagem do presidente, afirmando que ela “violava as regras sobre a apologia da violência”. Segundo a empresa, no entanto, foi determinado que é de interesse público que o comentário permaneça acessível. Na prática, o algoritmo da rede limitará a repercussão da mensagem, e internautas que tentarem comentá-la verão um segundo aviso que diz “nós tentamos evitar que um tuíte como este, que viola as regras do Twitter, alcance mais pessoas, então desativamos a maior parte das formas de se engajar com ele”. A medida foi tomada, segundo a empresa, dado “o contexto histórico” da mensagem, sua conexão com a violência e oris co de que possa inspira rações similares.
RESPOSTA NA REDE SOCIAL
Horas depois, Trump tentou se explicar, também no Twitter:“Sa ques levam a tiros, eépo ris soque um homem foib aleado e morto em Minneapolis na quarta à noite”, escreveu. “Foi dito como fato, não como declaração.” No fim da tarde, em um evento na Casa Branca, o presidente voltou ao assunto e afirmou “não saber a origem” da frase “quando os saques começarem, os tiros começam”. A citação foi usada pela primeira vez em 1967 por Walter Headley, então chefe de polícia de Miami, que defendia o uso de armas para conter a violência nos bairros mais pobres da cidade. Minneapolis assiste a protestos diários contra o assassinato de George Floyd, um homem negro, por policiais, na segunda-feira. Um vídeo mostra Lloyd sendo sufocado, sob o joelho de um policial branco. Trump disse ontem à noite ter conversado comafam ília deFloyd eque apoia atos pacíficos, mas que “não pode permitir” situações que“leve mamais anarquia e a um caos sem lei ”. Em resposta ao alerta da rede social, Trump recorreu ao próprio Twitter. Segundo ele, a empresa não faz nada “sobre as mentiras” divulgadas pelo Partido Democrata ou pela China. Ele acusou a rede social de propositalmente “mirar republicanos, conservadores e o presidente dos EUA”. A sinalização na postagem sobre Minneapolis veio um dia após a assinatura de um decreto que busca limitar as proteções legais das redes sociais. O ponto central do t ex toé a revisão dac hamada Seção 230 da Lei de Decência nas Comunicações, de 1996, uma espécie de escudo para as empresas contra ações legaisp elo queé publicado por usuários, eque faculta às companhias tirar do ar conteúdo que julguem ofensivo ou objetável. Além de ecoar visões de WalterHea dl ey,o tuí te emqu estão coincide co mareta final para as eleições de novembro. Para ser reeleito, Trump depende de seus apoiadores, majoritariamente brancos. Os ataques de Trump às redes sociais se intensificaram na terça-feira, após ele ser alvo de uma ferramenta desenvolvida pelo Twitter para tentar conter informações falsas. No caso, uma fala imprecisa do presidente sobre supostas intenções de fraude em iniciativas que promovem a votação por correio nas eleições presidenciais de novembro. Trump não reagiu bem e afirmou que as redes sociais “precisavam ser regulamentadas” e poderiam até mesmo ser fechadas.