O GLOBO – 15/03/2020

VICTOR FARIAS

Local de anúncios de demissões, nomeações e até mesmo de diagnósticos de coronavírus, o Twitter ganhou importância com a chegada do presidente Jair Bolsonaro ao Planalto, funcionando quase como a principal tribuna da República. Atualmente, dos 22 cargos com status de ministro, 17 contam com perfil na rede social. Somente Bento Albuquerque, de Minas e Energia; Paulo Guedes, da Economia; Fernando Azevedo e Silva, da Defesa; general Braga Netto, da Casa Civil; e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, não têm conta no Twitter.


Entre os que têm, alguns são mais populares na Esplanada que outros. É o que indica um levantamento feito pelo GLOBO nas contas do Twitter do presidente, do vicepresidente, dos três filhos de Bolsonaro com cargo político e dos 17 ministros com perfil na rede social.

O ministro da Justiça, Sergio Moro, por exemplo, é seguido por 20 dos 21 perfis considerados. Já o ministro da Educação, Abraham Weintraub, conta com 14 followers ,uma menos que seu antecessor, Ricardo Vélez, que ficou apenas quatro meses no cargo.

Dos 22 perfis, somente o presidente é seguido por todos os demais. Depois dele vêm os ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, e Moro. Eles só não são seguidos pelo vice-presidente, general Hamilton Mourão, cujo perfil segue somente três contas: @Planalto, @GovBR e @JairBolsonaro. Apesar disso, Mourão é seguido por 19 contas consideradas no levantamento. Ele divide a 3ª posição do ranking com os ministros da Justiça, Sergio Moro; do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno; da Agricultura, Tereza Cristina; e da Infraestrutura, Tarcísio Gomes, além de Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro. Mourão só não é seguido pelo ministro da Educação.

O mesmo ocorre com Carlos Bolsonaro, de quem já sofreu ataques públicos na rede social. Os três filhos de Bolsonaro também não são seguidos por Moro.

Entre as mais de 19 mil contas seguidas pelos membros do levantamento, alguns parlamentares e governadores se destacam. No topo da lista, seguido por 18 dos perfis considerados, está o exministro da Cidadania, o deputado Osmar Terra (MDB-RS). Em seguida vem a deputada bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP), com 17 seguidores. Com um seguidor a menos, aparecem o líder do governo na Câmara, major Vitor Hugo (PSLGO), e a deputada Bia Kicis (PSL-DF). Além de políticos, a rede social de um ministro tem espaço para a cena pop internacional. Katy Perry, Rihanna, Justin Bieber e Justin Timberlake são seguidos pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes.

A lista das 131 contas seguidas pelo ex-astronauta inclui ainda a apresentadora do “Mais você”, Ana Maria Braga; a Suzy da novela “O outro lado do paraíso”, Ellen Roche; e o ex-piloto de Fórmula 1 Rubens Barrichello. O pesquisador de relacionamentos nas redes e professor da Faculdade Cásper Líbero Marcelo Santos explica que existem diferentes tipos de relação nas plataformas, e o que indica uma conexão forte é o diálogo, não o fato de seguir ou não seguir. Ele afirma, no entanto, que, no caso de figuras públicas, muitas vezes o seguir ou não alguém não é uma mensagem para a outra pessoa, mas para o público.

—Tudo o que é construído na rede pode, e muitas vezes é, feito para atingir a rede, e não os atores que estão diretamente envolvidos —comenta o pesquisador.

Santos lembra que as redes digitais têm uma conexão direta com as redes físicas e pondera que não se pode supervalorizar nem subdimensionar o que acontece na internet.

—A gente precisa sempre se lembrar de que a rede social é uma só: no digital e no não digital — completa.