O GLOBO – 11/02/2020

Nascido em agosto de 1932, em Salvador, na Bahia, Jorge Miranda Jordão iniciou a carreira de jornalista aos 21 anos, em 1954, no extinto jornal “Última Hora”, fundado por Samuel Wainer, de quem era amigo. Como repórter, Miranda Jordão fez um pouco de tudo, da cobertura de polícia aos relatos sobre o dia a dia da cidade. Já no primeiro ano de trabalho, o jornalista acompanhou, da porta do Palácio do Catete, antiga sede da Presidência da República, os desdobramentos do suicídio de Getulio Vargas.


Além de ter atuado como repórter, Miranda Jordão dirigiu as sucursais do “Última Hora” em São Paulo e em Porto Alegre. Em 1963, voltou à redação do veículo no Rio. Quatro anos depois, a convite do jornalista e empresário Otavio Frias, lançou a “Folha da Tarde”, em São Paulo, com a proposta de atingir o público estudantil.

Próximo a Frei Betto, que trabalhou no “Folha da Tarde”, Miranda Jordão foi preso durante a ditadura militar, em Montevidéu, no Uruguai, e levado para o Dops em Porto Alegre. Em seguida, ficou detido no prédio do DOI-Codi, na Zona Norte do Rio.

ESCOLA BASE

O jornalista também foi diretor das redações dos jornais “O Dia”, no Rio, e “Diário Popular”, em São Paulo. À frente do jornal paulista, Miranda Jordão, conhecido pelo texto preciso e rigidez na apuração, decidiu não publicar, em 1994, reportagens sobre o caso Escola Base, ao desconfiar das informações fornecidas pela Polícia Civil de São Paulo. Na época, seis funcionários da instituição de ensino foram acusados equivocadamente de abuso sexual.

— Não publiquei porque não acreditei naquela história, até que foi visto que era uma farsa, que nunca tinha havido aquilo. Não publiquei uma linha — comentou Miranda Jordão em recente entrevista ao jornalista Aziz Ahmed para o livro “Memórias da Imprensa Escrita”.

O jornalista tratava um câncer e morreu na tarde de ontem, no Rio, após complicações cardíacas. Era descrito por colegas e amigos como um homem sério e de poucas palavras no trabalho, mas ao mesmo tempo boêmio. Miranda Jordão deixa três filhas e quatro netos. De acordo com familiares, o enterro ocorrerá amanhã no Cemitério do Catumbi, no Rio.