O GLOBO – 27/04/2019

Bom dia. Sr. Exmo. senador Davi Alcolumbre, Sr. senador Randolfe Rodrigues, que foi quem criou essa homenagem; agradecer muito a vocês e, em nome de vocês, agradecer aos outros senadores e políticos presentes; a meu companheiro Paulo Tonet, que engrandece a nossa equipe, e, através do Tonet, agradecer a presença de todos os outros companheiros da Abert, do nosso jornalismo, e também aqui ao ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo.

> Antes de iniciar o discurso que preparei, queria agradecer as palavras de todo mundo, porque me sensibilizaram muito. Estamos em um momento muito difícil, em que companheiros jornalistas, algumas pessoas mais conhecidas da tela, que apresentam os jornais, são muito agredidos através da mídia social, de uma forma muito violenta, muito pessoal, por grupos extremados. Então, essas palavras aqui confortam muito. É muito bom ver pessoas que realmente representam o povo pronunciando essas palavras, pessoas de origens políticas diferentes, de ramos políticos diferentes, mas todos atrás das verdades dos fatos. Senhor presidente do Senado Federal, senador David Alcolumbre. Senhoras e senhores senadores. Bom dia.

> Vou começar falando do meu lado pessoal aqui neste ambiente. Há 40 anos fui repórter do GLOBO aqui no Senado, onde trabalhei por um ano, fazendo cobertura diária.

> Gostaria de agradecer em meu nome e em nome de meus irmãos a homenagem que esta Casa presta hoje aos 54 anos da TV Globo. Os senhores e as senhoras legitimados pelo voto são representantes do povo brasileiro e, por isso, não pode haver reconhecimento maior. É com o povo brasileiro que nos relacionamos todos os dias, desde que meu pai, Roberto Marinho, fundou a Globo. É um contato cotidiano em que buscamos oferecer ao público informação e entretenimento de qualidade. Um trabalho de todas as horas, todos os minutos do dia. E encaramos este trabalho como uma verdadeira missão. É com a paixão que temos por comunicação que mantemos o entusiasmo de nosso fundador todos os dias até hoje e haveremos de manter por muito tempo.

> Preciso revelar que é gratificante, mas não é fácil. Exige um trabalho imenso, uma dedicação enorme dos milhares de profissionais que conosco trabalham. Mas, ao longo desses anos todos, se há uma lição que aprendemos é que o êxito só acontece quando não buscamos atalhos ou caminhos fáceis: é preciso oferecer sempre trabalho e programação de qualidade, fruto de muito esforço.

> Nosso povo é exigente e tem a prerrogativa de escolher livremente. Isso era verdade no passado e é ainda mais verdade hoje, quando a concorrência de meios de comunicação é cada vez maior. Além dos muitos concorrentes na própria TV aberta, há a TV paga com um sem número de canais brasileiros e estrangeiros, com enlatados, que citava o ministro Toffoli; há a internet banda larga oferecendo produtos audiovisuais sob demanda. Não podemos esquecer das novas plataformas chamadas

“big techs”, que são gigantes internacionais e também são, sem dúvida, veículos de comunicação. Ser líder em todos os horários diante de tanta concorrência e de um público tão exigente só tem mesmo uma explicação: obsessão pela qualidade sem concessões. E também muita responsabilidade.

> Essa lição, aprendida de forma intuitiva no passado, é hoje algo de que temos plena consciência. Um sociólogo francês, Dominique Wolton, no início dos anos 1990, escreveu um livro chamado “O Elogio do Grande Público”. Ele discutia o então processo de privatização das TVs públicas europeias, com críticas ao modelo de TV comercial praticado em alguns países. Wolton escreveu, então, sem que nós sequer soubéssemos, que um bom caminho era o de uma TV brasileira, a TV Globo, que, sendo comercial, parecia ter a autoconsciência de ser também um serviço público, de estar a serviço da nossa audiência. Isso nos definia à época e nos define hoje. E acreditamos que explica o sucesso que temos.

> Hoje, temos três mil horas por ano de produção de entretenimento, com histórias passadas em todos os recantos do nosso país, e três mil horas de jornalismo. Isso equivale à produção de 30 longas-metragens por semana, ou 1,5 mil longas-metragens por ano. Produzimos mais que Hollywood inteira, em termos de horas. Nossos conteúdos, enfatizando sempre a cultura brasileira e empregando brasileiros, são hoje vistos em mais de 160 países, seja por meio do licenciamento a outras emissoras, seja pela exibição em nossos próprios canais internacionais. Fazemos quase nove horas diárias de jornalismo, amplo e plural, das quais três horas são de notícias locais, produzidas pelas 122 emissoras afiliadas, pertencentes a empresas independentes em todo o território nacional. O modelo de rede inovador, montado sobre a parceria com diversos empresários pelo Brasil afora, garantiu que o sinal da Globo levando conteúdo internacional, nacional, regional e local chegasse aos mais longínquos pontos do nosso território, fazendo uma verdadeira integração nacional. Podemos dizer com orgulho hoje que o Brasil se conhece de Sul a Norte, de Leste a Oeste, com a densa e múltipla cultura de nosso povo. No esporte, oferecemos ao público as emoções do futebol, do vôlei, do automobilismo, e agora do surfe, porque nós temos o Brazilian Storm aí, ganhando todos os campeonatos mundiais. E as diversas modalidades de esportes olímpicos. Esqueci de citar a Marlova, nossa companheira de muitos anos, nossa parceira prioritária, representando a Unesco. Quando vi aqui essa parte do conteúdo todo de esportes e jornalismo eu me lembrei.

> Estamos cientes de que, agradando à maior parte do público, não agradamos a todos. Não poderia ser diferente. Se erramos, temos a humildade de corrigir porque nosso compromisso é com nosso público. É com a verdade. Somos um conjunto de pessoas comprometidas com nosso trabalho e apaixonadas por comunicação. Um conjunto que tem alma e tem dedicação ao que faz. Mas a escolha e a crítica livre são a própria democracia. Na verdade, que democracia não é barulhenta, ruidosa, viva, com múltiplos pontos de vista, projetos em choque, formas de viver diferentes, de se comportar, de crer? Tudo isso com tolerância e respeito ao outro. Isto é o Brasil que esta Casa tão bem representa. E assim que deve ser.

> Pois bem; é preciso ter em mente que a TV Globo não quer fazer barulho, mas é obrigada a exibi-lo, a colocá-lo à mostra, seja em seus telejornais, seja em sua teledramaturgia. E, claro, com isso, temos a consciência de que ora desagradamos alguns, ora desagradamos outros, e vice-versa. Mas o vice-versa é que é a chave da questão. Porque a TV Globo não apoia partidos, não apoia religiões, não defende formas de comportamento, não defende formas de agir. A TV Globo procura acompanhar, isso sim, as mudanças na sociedade, a sua evolução, com as contradições que essa mesma evolução acarreta, mas sem proselitismos. Não acertamos sempre, é claro, mas sempre procuramos corrigir rumos quando detectamos o erro. O que nos conforta é que a escolha do público mostra que nossos acertos são em maior número.

> O que a Globo defende, de forma enfática, e sempre defenderá, é a democracia, a liberdade de expressão, a República, o império da lei e do voto, do qual os senhores e as senhoras são expressão genuína. E isso é inabalável.

> Esse é o nosso compromisso. E não há melhor momento para reiterá-lo do que na celebração destes 54 anos e diante desta Casa, nesta homenagem que os senhores e as senhoras, representantes legítimos de nosso povo, nos prestam e pela qual agradecemos em nome dos 24.971 colaboradores e funcionários que fazem a Globo todos os dias.

> Muito obrigado aos senhores e senhoras, e aos 100 milhões de brasileiros que nos assistem diariamente.