Julian King, comissário de segurança da Europa: Infelizmente, as empresas "ficaram para trás" Julian King, comissário de segurança da Europa: Infelizmente, as empresas "ficaram para trás" / Reprodução

Google, Facebook e Twitter falham no combate à desinformação, diz Comissão Europeia

A pouco menos de três meses das eleições do Parlamento Europeu, Google, Facebook e Twitter não cumpriram suas promessas para combater a desinformação em suas plataformas, disse a Comissão Europeia na quinta-feira (28/02). As empresas de tecnologia e os órgãos de comércio que representam o setor de publicidade assinaram, em outubro do ano passado, um código voluntário de conduta para combater a disseminação de desinformação, que inclui o fornecimento de relatórios mensais sobre as medidas tomadas entre janeiro e maio, mês do pleito (de 23 a 26).

Em análise sobre o primeiro relatório das gigantes da web, quatro comissários da União Europeia (UE) disseram em declaração conjunta, conforme relatou o site Press Gazette, que precisavam ver "mais progresso nos compromissos assumidos pelas plataformas online para combater a desinformação", acrescentando que as empresas não forneceram à comissão "detalhes suficientes mostrando que novas políticas e ferramentas estão sendo implementadas em tempo hábil e com recursos suficientes nos Estados membros”. Para os comissários, “os relatórios fornecem muito pouca informação sobre os resultados reais das medidas já tomadas”.

No acordo firmado em outubro de 2018, informou o Press Gazette, as gigantes da internet se comprometeram a atender, nos relatórios mensais, o pedido da comissão sobre informações referentes a transparência na propaganda política, escrutínio da colocação de anúncios, dados sobre fechamentos de contas falsas e sistemas de marcação para as chamadas contas bot. O comissário de segurança da Europa, Julian King, criticou a falta de progresso das três empresas em reprimir as notícias falsas com base em seus relatórios mensais. "Infelizmente, elas ficaram para trás. Elas precisam viver de acordo com os padrões que lhes pedimos, e que assinaram", disse King em postagem no Twitter.

O Facebook, segundo O Globo, não forneceu detalhes de suas ações em relação a anúncios políticos em janeiro, nem o número de contas falsas excluídas devido a atividades maliciosas direcionadas à UE. A comissão, de acordo com o jornal britânico The Guardian, queixou-se que a maior rede social do mundo, apesar de suas promessas, estabeleceu equipes de verificação de fatos em apenas oito dos 28 países membros do bloco europeu.

A comissão, conforme O Globo, também descobriu que as medidas do Google sobre anúncios políticos não eram específicas o suficiente, e a empresa não esclareceu até que ponto ações foram tomadas para tratar de notícias falsas. Em artigo no The Guardian, King e a comissária da economia digital, Mariya Gabriel, disseram que a empresa de buscas na web forneceu detalhes de suas iniciativas para examinar anúncios na UE, mas as métricas oferecidas não foram "específicas o suficiente" e "não esclareceram até que ponto as ações foram tomadas para lidar com desinformação ou por outras razões”.

O executivo da UE criticou ainda o Twitter por não fornecer referências para medir seu progresso no monitoramento de anúncios políticos. Respondendo à declaração dos comissários, um porta-voz do Twitter disse os relatórios da empresa continuará “a destacar nossos esforços para garantir segurança, integridade e transparência no período que antecede as eleições da UE em maio”. O site Press Gazette procurou Google e Facebook para falarem sobre seus relatórios de janeiro, mas não obteve resposta das duas companhias.

Regulação e multa

No Reino Unido, o governo ameaçou punir Google e Facebook com multas de bilhões de libras se conteúdos considerados nocivos não forem removidos de seus ambientes online ou a privacidade de usuários for violada. A ministra do Digital, Margot James, afirmou ao site Business Insider, citado pelo O Globo, que planeja criar um novo órgão regulador sob as novas leis de proteção de dados e privacidade na EU para infligir às gigantes multas de até 4% de suas receitas globais. Para o Facebook, isso poderia representar perdas de até US$ 2,2 bilhões, e para o Google, de US$ 5,4 bilhões, segundo o site.

Leia mais em:

https://www.pressgazette.co.uk/major-platforms-have-failed-to-provide-enough-data-on-fight-against-disinformation-say-eu-commissioners/

https://oglobo.globo.com/economia/google-facebook-twitter-nao-cumprem-promessa-de-combater-fake-news-diz-comissao-europeia-23489357

https://www.theguardian.com/technology/2019/feb/28/facebook-withholding-data-anti-disinformation-efforts-eu

https://www.theguardian.com/technology/2019/feb/28/facebook-withholding-data-anti-disinformation-efforts-eu